Se você acha que matemática e software livre não combinam, é porque ainda não cruzou com Ole Peter Smith. Dinamarquês de nascimento, goiano por escolha e programador por pura curiosidade científica, ele transforma três décadas de história digital em uma verdadeira viagem entre continentes, códigos e cafés passados.
A história começa no frio da Europa, passa por servidores na DTU e aterrissa em Iporá, Goiás, onde Ole trocou a geada pelo calor humano da sala de aula. Professor, engenheiro, otimista estrutural e poliglota de linguagens — de LaTeX a C++, passando por Python, TikZ, JavaScript (com certa má vontade) e até um pouco de SVG — ele faz da matemática uma ponte entre a precisão e o improviso.
Frequentador assíduo de eventos como FLISOL, ConFLOSS e Latinoware, Ole virou figura conhecida nas comunidades. Seja no palco ou na plateia, está sempre pronto para compartilhar conhecimento, ouvir histórias ou puxar assunto com um comando no terminal. E quando o evento se aproxima do fim, com os estandes desmontados e o café já morno, ele celebra do jeito mais inesperado: com um sorriso no rosto, sotaque forte e o Hino Nacional da Dinamarca na ponta da língua, cantado em voz alta, com entusiasmo de quem sabe que liberdade também se entoa.
Entre suas paixões está o SMTC, Show Me The Code, um sistema que ele mesmo desenvolveu para colocar lado a lado aquilo que mais ama: fórmulas matemáticas, visualizações gráficas e trechos de código. É nele que ganham vida suas curvas da bosta e outras experiências frenéticas que misturam geometria, derivadas, cicloides e, sim, muita diversão com LaTeX e SVG. Tudo feito por puro prazer, sem pensar no usuário final, porque segundo ele, o melhor sistema é aquele que não tem usuário. E a melhor aula, a que não tem aluno.
Traga sua dúvida, seu bloco de anotações e, se possível, um pouco de espírito experimental. Porque essa estrada — On the Road do Software Livre — tem 30 anos de pista, algumas curvas inesperadas e um motorista com sotaque viking que ainda está acelerando.
